Vivemos um tempo em que as verdades da vida se tornam mais evidentes através da observação prática, e essa clareza exige de nós uma postura: não podemos ser superficiais. É preciso ir ao âmago das coisas. Ao longo da minha caminhada, diferentes linhas de trabalho chegaram até mim — do Yoga aos ensinamentos de Bert Hellinger e à busca constante pela essência do Ser.

Esse conjunto de saberes não são apenas teorias; é a minha pedagogia em ação. Percebi que o conhecimento só se torna real quando processado através do próprio sentir. As Ordens da Ajuda vieram de encontro ao meu começo de estrada com o Yoga, somando e integrando o terreno para a transição que atravessamos hoje. Sinto que houve um longo preparo para este momento.

A Lição do Receber

  • O Pertencimento: A paz e a alegria profunda nos pertencem por direito natural.
  • O Ato de Receber: Muitas vezes aprendemos a pedir e buscar fora, mas ainda não aprendemos a simplesmente receber o que já nos é dado.
  • A Presença: Aceitamos hoje essas dádivas sabendo que são nossas.

O Corpo: Portas, Janelas e Ressonâncias

O corpo não mente. Ele possui portas e janelas que se abrem para a nossa história e para o campo sistêmico. Através da escuta profunda, percebemos que existem ressonâncias entre as partes dos corpos. O movimento que libera a garganta ecoa na pélvis; o equilíbrio do diafragma abre o peito para o amor no espírito.

É um caminho todo de congruência. Se o conhecimento não está claro, é necessário mergulhar mais fundo no estudo, pois a sincronicidade é universal e as palavras são criadoras. Elas exigem clareza para que o caminho se abra.

O Equilíbrio entre Dar e Receber

Muitas vezes, confundimos o ato de dar com uma forma de medo, tentando evitar o receber por achar que isso implica em perda ou insuficiência. Mas o que é essencial nunca diminui ao ser compartilhado. No amor do espírito, dar é verdadeiramente criação; é estender o que é pleno ao ilimitado.

É impossível que alguém ganhe porque outro perdeu. Essa é uma das principais lições: o equilíbrio entre o dar e o receber é o nosso direito natural. Quando eu ofereço tranquilidade e contentamento ao outro, essas qualidades finalmente podem se estabelecer em mim também.

Preservar esse conhecimento — seja através do estudo profundo da obra de Bert ou da prática diária do silêncio — é a minha missão. Que possamos florescer no amor, com a certeza de que o que é verdadeiramente dado acrescenta a tudo o que já é completo.

Tereza Brandão Núcleo de Psicologia Clínica