A jornada do autoconhecimento muitas vezes nos coloca diante de um labirinto de indecisões, onde a mente, super acelerada, se perde em explicações externas e infinitos tópicos que apenas mascaram o vazio da alma. No cotidiano da clínica, observo como é comum a pessoa se perder em ideias e não conseguir se reconhecer, vivendo um estado onde quem olha para fora apenas sonha, enquanto o verdadeiro despertar exige o olhar para dentro. Para resgatar essa clareza, é preciso trazer o interesse prático de volta para o agora, transformando a terapia em uma experiência viva que confronta o que é ilusório com o que é real. Muitas vezes, não pedimos muito para a vida, mas sim pouco demais, tentando substituir a satisfação profunda por coisas que se compra ou por prestígio temporário, elementos que jamais preencherão os requisitos necessários para a alma.
O caminho para o discernimento passa por compreender a lei que governa toda escolha: o que podemos fazer é escolher, e essa escolha sempre nos traz para o dilema do tudo ou nada. Se aprendermos os testes para distinguir o que é eterno do que é apenas temporário, faremos a melhor escolha. O valor temporário não tem valor algum diante do criador e do tempo que é perdurável. Além disso, é preciso reconhecer que se escolhermos tirar algo de alguém, acabaremos sem nada; ao negar o direito do outro a todas as coisas, negamos o nosso próprio direito, deixando de reconhecer o que realmente temos. A escolha torna-se fácil quando compreendemos que todas as coisas ou são dignas de serem buscadas ou não são, sem meio-termo.
Hoje, o convite é para enumerar os critérios reais sobre aquilo que pensas querer e testar esses desejos com honestidade. O ego frequentemente falha em reconhecer o que quer e evita dizer a verdade, mas o trabalho clínico atua de forma cirúrgica, como ensina Bert Hellinger, trazendo valor e significado com clareza para que a pessoa deixe de estar perdida. Ao fortalecer o vínculo com a forma divina e reconhecer o poder da alma, manifestamos a perfeição da luz. Não darei valor àquilo que não tem valor; buscarei apenas o que é real e permanente, pois o próprio céu é alcançado com mãos vazias e mentes abertas. É hora de retornar ao ponto que foi deixado parado e escolher o que vem do reconhecimento interno, abandonando as ilusões para abraçar a luz que manifesta o que realmente somos.